Louis Armstrong, definitivamente mudou o curso da música com seus ataques brilhantes no trompete, sua voz rouca e cheia de malícia e seu incontrolável carisma. Um homem cheio de qualidades, parecia incansável com aquele sorriso esparso, mas mesmo as lendas se esgotam as vezes.
Ele já tinha mais de 10 anos de carreira e mesmo assim seus trabalhos definitivos vieram muito depois, a partir da década de 40. Mas estamos nos anos 30 e certa vez em turnê para Europa, possivelmente devido a ganância de seu agente, foi levado a tocar dia após dia, sem descanso, o que resultou em um raro hiato em suas performances.
Já imaginou Louis não querendo nem ver um trompete pela frente?
Leia abaixo um trecho de uma matéria a respeito, publicada na Revista Dowbeat da época:
"Meus músculos faciais estavam acabados quando voltei da Europa", diz o "lábios-de-couro" e "bochechas-de-balão" Louis. "Meu agente me exigiu muito e eu estava tão cansado quando voltei que eu não queria nem mesmo ver meu trompete. E conhecidos (pops), ele não deixava nem mesmo os caras (cats) virem me ver no backstage, e você sabe como eu gosto de ver todo mundo."
Todos os músicos eram "cats" para Armstrong. Ele usualmente se dirigia a seus conhecidos como "pops" ou "gate".
Armstrong ficou descansando em Chicago, na casa de sua madrasta, esperando que o contrato com Collins expirasse."Meus músculos faciais estavam acabados quando voltei da Europa"
Sua inatividade e reclusão iniciaram uma série de rumores de que ele havia "perdido sua embocadura", que ele tinha cortado o lábio em dois, que sua esposa (Lil Hardin Armstrong) - agora liderando sua própria banda - estaria acabando com seus recursos para pagar a pensão alimentícia, e por aí vai. Músicos do mundo todo imaginaram que na verdade Louis sentia-se solitário.
"Meus músculos estão bons agora", Armstrong disse "e estou morrendo por suingar de novo. Me deram um novo trompete enquanto estive na Europa e tenho um bocal menor do que eu usava em meu antigo instrumento. E meu antigo primeiro-trumpete, Randolph, está fazendo grandes arranjos. Estou bem descansado e doido pra começar de novo".
Fonte: Downbeat edição de Junho de 1935.
Tradução: Bruno Melo
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