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JazzGig na Livraria Cultura



A segunda sessão do Jazz ao Sul, trouxe o grupo JazzGig para o palco da Livraria Cultura no dia 18 de maio e agradou os presentes. Fizeram um show de aproximadamente 1 hora, com o "Especial Miles Davis e John Coltrane", trazendo versões inusitadas, como a levada em samba jazz para "Impressions". O repertório contou com outros temas como "Blue Train", "Milestones", "Equinox", "Freddie Freeloader", "Mr. PC", "All Blues", "My Favorite Things", "So What" e ainda um tema que ficou mais conhecido com Miles Davis do que pelo criador Wayne Shorter, "Footprints". O grupo que completa 10 anos de estrada mostrou muita firmeza nos arranjos e com a inclusão, há não muito tempo, de Marcelo Figueiredo (Sax Tenor e Soprano), consolidaram um sexteto muito entrosado. A formação atual do grupo conta com Marcelo Campos (bateria), Rafa Capaverdi (guitarra), Leandro Hessel (piano), Marcelo Figueiredo (sax tenor e soprano), Chico Gomes (trompete) e Gustavo Pessota (baixo).

Queremos agradecer a todos que comparecerem, é muito importante a presença do público para fortalecermos a cena do jazz em Porto Alegre. Curtam as fotos, clicadas por Marcelo Stefani, do que rolou por lá e se quiser saber mais sobre os shows que o Jazz ao Sul promove, assine aí ao lado nossa newsletter. ;)

















Jazz Letrado #001 - A Love Supreme


Como havíamos prometido aqui vai o primeiro "Jazz Letrado", trechos de livros sobre jazz com aquela perfumaria básica pra embelezar a leitura! Aproveitem!


A Love Supreme por Ashley Kahn 



                           Jazz Letrado #001 - New Thing by Jazz Ao Sul on Grooveshark
                          Ouça enquanto lê!






(pág. 94,95) 


O underground do jazz se firmou, povoado por um número cada vez maior de músicos cujo som se eriçava com a mesma emoção abrasiva e espírito ardente presentes na música de Coltrane. “Músicos de sopro - especialmente saxofonistas - gravitavam em torno de Coltrane porque aprendiam com ele” explica Mccoy Tyner. “Como Pharoah Sanders, que se inspirava muito em um certo modo do que John tocava. Archie Shepp era outro.”


“John era onze anos mais velho que eu, e era mais velho que Wayne Shorter e todos os outros. Por isso, ele era uma figura mais velha - um irmão mais velho pra nós” diz Shepp, que, como Sanders, fazia parte de uma longa lista de saxofonistas - Albert Ayler, Marion Brown, John Tchicai, Ken McIntyre, Roscoe Mitchell, Frank Lowe e outros - que tinham Coltrane como um exemplo musical e pessoal. “As coisas que ele expressava eram apreciadas por todos nós porque ele vivia daquele jeito, era o que ele era.”

Outros porta-bandeiras tinham conduzido a vanguarda do jazz durante e depois dos anos 50: o tecladista e bandleader Sun Ra, o contrabaixista Charles Mingus, o pianista Cecil Taylor e, é claro, Ornette Coleman. Mas para a nova turma de músicos “de energia” (como seriam conhecidos), Coltrane ditava o ritmo em meados dos anos 60. Shepp observa:




Quando falamos de vanguarda, muito se inspirou no trabalho de John Coltrane, na minha opinião. Mas dando crédito a quem merece, Cecil já tinha se feito bem antes de ouvir Coltrane, e Ornette também. O que estou sugerindo é que Trane deu a esses caras uma espécie de credibilidade ao sintetizar suas ideias, botar um balanço e acrescentar espiritualidade. Coltrane era nosso líder - e continuou sendo.





Era tal a força coletiva dessa vanguada jovem que os críticos que utilizaram confortavelmente termos como “avant-garde” para Mingus e “free” para Coleman se renderam, abandonaram o antigo vocabulário e escolheram um nome que englobava os sons controversos que jorravam depois de Coltrane: “New Thing”. Apesar do ressentimento crescente de músicos que vinham do bebop para com os novatos, Coltrane encontrou inspiração nos músicos “de energia”, como relata Shepp:


Naquela época, acho que ele ouvia alguns músicos mais novos como uma forma de catalisar - porque ele já havia explorado muita coisa sozinho. Por exemplo, Albert Ayler o impressionou porque tinha uma formação religiosa muito forte com Coltrane, e Albert fazia coisas com o som e com o alcance do sax nas quais ele encontrou afinidade.


Coltrane assistiu a shows com Ayler e outros músicos, às vezes gravando as performances para ouvir enquanto excursionava. Os provedores da “New Thing” retribuíram. Para Shepp e mais alguns, assistir as performances de Coltrane tinha tanta importância - e peso espiritual - quanto a missa de domingo. “Era como ir na igreja. Com aquele quarteto, ele criou o que, para mim, era uma nova música. Como Bach e Mozart, Coltrane fez a música ascender do secular para uma região de música universal, séria e religiosa.”