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Duke Ellington - At Fargo 1940

Das muitas gravações ao vivo da banda de Ellington que sobreviveram, esta é uma das melhores, capturando mais de duas horas de material de uma única noite em Dakota do Norte, parte transmitido, parte coletado por algum entusiasta amador. 

Edição de 60 anos pelo selo Storyville
Storyville, o selo sueco que muito fez para manter o jazz americano bem documentado, lançou uma edição especial de 60 anos em 2000, em uma excepcionalmente bela apresentação. O som é tão bom quanto sempre será. Aqui está uma das melhores orquestras de Ellington numa noite tipica, com muitos dos melhores números do set da banda, entre eles uma versão brilhante de "St. Louis Blues" no clímax da noite. 

O som é inevitavelmente bom, não tanto quanto uma gravação de estúdio, mas definitivamente um vislumbre de um dia de trabalho na vida de uma das grandes orquestras de swing. Um documento essencial da Era do Swing e uma peça fundamental da "Ellingtonia".

Clique aqui para ouvir
"Duke at Fargo" ganhou em 1980 o Grammy de melhor performance ao vivo de jazz.

Formação:

Duke Ellington: piano
Harry Carney: saxofone baritono
Johnny Hodges: saxofone alto
Ben Webster, Otto Hardwick: saxofone tenor
Barney Bigard: clarinete
Ray Nance, Wallace Jones: trumpete
Rex Stewart: corneta
Joe "Tricky Sam" Nanton, Juan Tizol, Lawrence Brown: trombone
Jimmy Blanton: baixo
Sonny Greer: bateria
Fred Guy: guitarra
Ivie Anderson, Herb Jeffries: vocal


Fonte: Livro The Penguin Guide To Jazz Recordings, Richard Cook e Brian Morton

#bonustrack Aqui o grupo porto-alegrense Trio de Janeiro interpreta "African Flower" de Duke Ellington, em 2009 no Paraphernália.



Algumas edições já lançadas:

Edição em vinil da Jazz Guild, 1977

Edição especial em CD

Edição da Jazz Society, Suécia

Edição original em 3 LP's, 1940


Edição da Jazz Heritage em CD


BMW Jazz Festival 2012



O BMW JAZZ FESTIVAL 2012 traz grandes nomes do gênero, como Chick Corea, Maceo Parker, Charles Lloyd e Trombone Shorty.

Com nomes da velha guarda e de gerações mais recentes, o festival será representado também por diversos estilos do jazz. A programação traz medalhões da envergadura do pianista Chick Corea, que acumula no currículo 16 Grammy e vem acompanhado de outros dois gigantes, o baixista Stanley Clarke e o baterista Lenny White; e do naipe formado por Maceo Parker, Fred Wesley & Pee Wee Ellis, trio de metais do The JB’s, lendária banda que acompanhava o rei do soul James Brown na década de 70.


Lenny White, Chick Corea e Stanley Clarke
Um dos primeiros artistas do jazz a vender mais de um milhão de discos, o saxofonista Charles Lloyd desembarca no país com o seu novo quarteto, considerado por alguns o melhor de sua trajetória, composto por Jason Moran (piano), Reuben Rogers (baixo) e Eric Harland (bateria).
Charles Lloyd, Reuben Rogers, Jason Moran e Eric Harland
Fundado em 1977 pelos irmãos John e Jeff Clayton, o quinteto The Clayton Brothers apresenta canções de seus últimos dois discos, ambos indicados ao Grammy de Melhor Album de Jazz, “Brother to Brother” e “The New Song and Dance”.


Trombone Shorty
No time dos mais jovens, incluem-se o aclamado Trombone Shorty, um virtuoso trombonista e trompetista, de 26 anos, que se destaca pela mistura do jazz com o pop; e o trompetista Ambrose Akinmusire, um dos mais promissores nomes de sua geração.
Ambrose Akinmusire


O maestro e compositor Darcy James Argue, por sua vez, mostra o projeto Secret Society, big band de 18 membros, cujo disco de estreia “Infernal Machines” lhe rendeu uma indicação ao Grammy, em 2009.

Darcy James


A lista de atrações internacionais fica completa com o Ninety Miles Project, trio de jovens músicos americanos que funde jazz com música cubana.

Ferragutti e Kramer

Representante brasileiro desta edição, os acordeonistas Toninho Ferragutti e Bebê Kramer, dois dos maiores instrumentistas do país, fazem show com a presença de diversos convidados.


O Festival esse ano muda-se para uma local maior que poderá abrigar um número maior de espectadores e trazer artistas que ficaram de fora na primeira edição. O Bmw Jazz Festival chega a sua segunda edição com curadoria de Monique Gardenberg; o jornalista Zuza Homem de Mello, o músico e produtor musical Zé Nogueira e o produtor musical Pedrinho Albuquerque.





Não percam!!!

São Paulo

Via Funchal - 08 a 10 de junho
Parque do Ibirapuera – Show ao ar livre - 10 de Junho

Ingressos: informações em breve no site www.bmw.com.br


Jazz Letrado #001 - A Love Supreme


Como havíamos prometido aqui vai o primeiro "Jazz Letrado", trechos de livros sobre jazz com aquela perfumaria básica pra embelezar a leitura! Aproveitem!


A Love Supreme por Ashley Kahn 



                           Jazz Letrado #001 - New Thing by Jazz Ao Sul on Grooveshark
                          Ouça enquanto lê!






(pág. 94,95) 


O underground do jazz se firmou, povoado por um número cada vez maior de músicos cujo som se eriçava com a mesma emoção abrasiva e espírito ardente presentes na música de Coltrane. “Músicos de sopro - especialmente saxofonistas - gravitavam em torno de Coltrane porque aprendiam com ele” explica Mccoy Tyner. “Como Pharoah Sanders, que se inspirava muito em um certo modo do que John tocava. Archie Shepp era outro.”


“John era onze anos mais velho que eu, e era mais velho que Wayne Shorter e todos os outros. Por isso, ele era uma figura mais velha - um irmão mais velho pra nós” diz Shepp, que, como Sanders, fazia parte de uma longa lista de saxofonistas - Albert Ayler, Marion Brown, John Tchicai, Ken McIntyre, Roscoe Mitchell, Frank Lowe e outros - que tinham Coltrane como um exemplo musical e pessoal. “As coisas que ele expressava eram apreciadas por todos nós porque ele vivia daquele jeito, era o que ele era.”

Outros porta-bandeiras tinham conduzido a vanguarda do jazz durante e depois dos anos 50: o tecladista e bandleader Sun Ra, o contrabaixista Charles Mingus, o pianista Cecil Taylor e, é claro, Ornette Coleman. Mas para a nova turma de músicos “de energia” (como seriam conhecidos), Coltrane ditava o ritmo em meados dos anos 60. Shepp observa:




Quando falamos de vanguarda, muito se inspirou no trabalho de John Coltrane, na minha opinião. Mas dando crédito a quem merece, Cecil já tinha se feito bem antes de ouvir Coltrane, e Ornette também. O que estou sugerindo é que Trane deu a esses caras uma espécie de credibilidade ao sintetizar suas ideias, botar um balanço e acrescentar espiritualidade. Coltrane era nosso líder - e continuou sendo.





Era tal a força coletiva dessa vanguada jovem que os críticos que utilizaram confortavelmente termos como “avant-garde” para Mingus e “free” para Coleman se renderam, abandonaram o antigo vocabulário e escolheram um nome que englobava os sons controversos que jorravam depois de Coltrane: “New Thing”. Apesar do ressentimento crescente de músicos que vinham do bebop para com os novatos, Coltrane encontrou inspiração nos músicos “de energia”, como relata Shepp:


Naquela época, acho que ele ouvia alguns músicos mais novos como uma forma de catalisar - porque ele já havia explorado muita coisa sozinho. Por exemplo, Albert Ayler o impressionou porque tinha uma formação religiosa muito forte com Coltrane, e Albert fazia coisas com o som e com o alcance do sax nas quais ele encontrou afinidade.


Coltrane assistiu a shows com Ayler e outros músicos, às vezes gravando as performances para ouvir enquanto excursionava. Os provedores da “New Thing” retribuíram. Para Shepp e mais alguns, assistir as performances de Coltrane tinha tanta importância - e peso espiritual - quanto a missa de domingo. “Era como ir na igreja. Com aquele quarteto, ele criou o que, para mim, era uma nova música. Como Bach e Mozart, Coltrane fez a música ascender do secular para uma região de música universal, séria e religiosa.”

Savassi Festival 2012









Kenny Werner
O Savassi Festival chega a seu décimo ano em 2012, levando jazz de qualidade a Belo Horizonte e principalmente cumprindo um papel social de suma importância. O evento traz grandes nomes esse ano contando com o trio de Kenny Werner, um pianista do Brooklyn que carrega consigo uma variedade imensa de ritmos e álbuns inusitados. Hermeto Pascoal participa da festa também, bem como os músicos mineiros Felipe Continentino e Antônio Loureiro que estarão lançando seus mais recente trabalho. Mais atrações estão sendo confirmadas ainda...


Escalandrum
O festival contará também com três concursos abertos ao público, uma forma de incentivar a interação de músicos e artistas brasileiros com linguagens diferentes. O Novos Talentos do Jazz, que visa dar espaço a jovens compositores, arranjadores e intérpretes a dar voz a sua autoralidade. Fotografe o Jazz é também uma maneira criativa de aproximar fotógrafos amadores do evento e o Jazzy que abre lugar para DJ's mostrarem seu trabalho.


Visão do festival
Em 2011 o festival doou aproximadamente 20 mil toneladas de alimentos a instituições carentes. Isso mostra que a música também pode salvar vidas e que o coordenador e curador do evento,  Bruno Braz Golgher, pensou além.


Marquem nas agendas, é de 18 à 29 de julho em Belo Horizonte. Ingressos ainda não estão à venda.


Maiores informações acesse: www.savassifestival.com.br



Agenda


Ken Vandermark e Christof Kurzmann tocam no Brasil



O saxofonista americano retorna ao Brasil depois de quase dois anos. Desta vez, vem com ele o improvisador eletroacústico austríaco, Christof Kurzmann.

Christof Kurzmann

Quando 24.03 – SÁBADO – as 20h.
Quem: Duo
Onde:  CCSP – Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso  São Paulo – SP – Espaço Mário Chamie (Praça das Bibliotecas)
Quanto: Entrada franca – sem necessidade de retirada de ingressos


Quando 25.03 – DOMINGO – as 21h.
Quem: Duo  + Thomas Rohrer, Panda Gianfratti e Mauricio Takara
Onde: SERRALHERIA – Rua Guaicuris, 857 – Lapa/SP
Quanto:  R$10 (somente dinheiro ou cheque)


Quando 26.03 – SEGUNDA – as 22:301h.
Quem: Duo
Onde: STUDIO CLIO  – Rua José do Patrocínio, 698, Cidade Baixa, Porto Alegre – RS
Quanto:  R$40,00 (público geral) e R$30,00 (estudantes, professores e seniores)


Quando 27.03 – TERÇA – Horário ainda não divulgado.
Quem: Duo
Onde: SOL DA TERRA – Avenida Afonso Delambert Neto, 885 – Lagoa da Conceição  Florianópolis – SC
Quanto:  ainda não divulgado.


Saiba mais sobre Free Jazz



Improviso Livre



O free jazz sempre foi uma busca pela livre expressão musical e muitos artistas se aventuraram no gênero que está em constante evolução, principalmente nos dias de hoje. 

Pois bem, o Brasil acaba de receber um portal exclusivamente dedicado ao free e a música improvisada de forma geral, trata-se do site Improviso Livre. O portal, que traz matérias, releases de álbuns, biografia de músicos e mais, foi criado por Diego Dias e Gustavo Muccillo, dois apreciadores e que também improvisam em diferentes projetos.

Iniciamos uma parceria, onde eles contribuirão com conteúdo sobre free jazz, bem como agenda de shows e outras informações. 

Sejam bem vindos parceiros, a confraria cresce!



Jazz Letrado




A internet é uma rede de dados muito grande e claro que se quisermos nos aprofundar sobre o jazz, com alguns clicks e um pouco de dedicação podemos ampliar nosso conhecimento rapidamente. Mas, nós do Jazz ao Sul somos mais teimosos, ou como gostamos de dizer, mais ligados ao lado orgânico da vida. Então preferimos buscar informação em livros que ao longo dos anos fomos carinhosamente adquirindo. Hoje temos uma boa biblioteca sobre jazz e queremos dividi-la com vocês. Então periodicamente teremos a coluna "Jazz Letrado" que trará artigos, traduções e seleções feitas exclusivamente para o grupo. 

Não se surpreenda se no futuro disponibilizemos uma pequena biblioteca para empréstimo aos frequentadores da confraria!